domingo, 15 de agosto de 2010

Ainda para minha irmã...


Um anjo em minha vida...

Sempre ouvi o discurso de que "Família a gente não escolhe"... concordo em parte, não podemos escolher em que família nascemos, mas podemos, sim, escolher se queremos fazer parte dela ou não. Nesse sentido, não tenho queixas... minha família é a melhor possível e dela faz parte um anjo, que me dá o prazer de chamá-la de mana!
Tenho oito anos a menos que minha irmã, diferença que hoje não significa nada , mas que já fez diferença. Devido a isso, as lembranças que tenho da infância com ela não são muitas, são mais as histórias que foram sendo contadas com o passar dos anos. Mesmo assim, nossos laços, baseados em relações de amor sincero construídas juntamente com toda a família, nos tornaram o que somos hoje: amigas, irmãs de sangue e de vida, que são coisas bem diferentes...
Durante muito tempo, lembro de sentir ciúme da minha irmã. Talvez porque sempre fosse comparada a ela: "a tua irmã não fazia isso", "a tua irmã fez isso e não deu certo", entre outras coisas. Queria, muitas vezes, viver minhas próprias experiências sem me sentir comparada. Hoje, entretanto, tenho o maior orgulho de ser comparada a ela. Quando me dizem que não somos parecidas, sempre tento achar alguma coisa que nos aproxime para convencer quem não mais nos compara, convencer até a mim mesma...
Tenho muito orgulha da irmã guerreira que tenho. Alguém que não desiste diante das dificuldades, alguém que acredita no bem, no amor, no trabalho e na verdade, alguém que sempre tem algo de bom para iluminar nossos corações!
Minha irmã é um ser doce, dedicada a família e meu porto seguro. Sei que sempre poderei contar com ela e por ela faria qualquer coisa... Se isso não é amor, não sei o que é...

Ieia

Para minha irmã...


Carta de pai...

Quando tua mãe engravidou, eu esperava que você fosse uma menininha. No fundo, eu, como a maioria dos homens, tinha vontade de ser pai de uma menina, apesar das preocupações que isso traz na cabeça dos pais, como os namorados que teimam em aparecer depois de um tempo. Mas minha vontade era ainda maior porque sabia que era isso que tua mãe queria, alguém que lhe fosse companhia e que lhe completasse a vida. Foi isso que você fez. Completou intensamente nossa vida, sendo uma criança meiga, companheira, comportada, sensível e doce.

Suas brincadeiras eram criativas, mas não tendiam ao risco, gostava dos animais e sabia dividir suas coisas, mostrando seu nobre coração desde os primeiros anos de vida. Seu compromisso com os estudos, apesar das inseguranças, era sempre intenso. Foste uma aluna tranquila e esforçada e que sabia, o que sempre tentei evidenciar, que o estudo seria o segredo para o sucesso.

Quando terminaste o Ensino Médio, buscou novos caminhos ao decidir ir morar sozinha na capital para fazer cursinho, na tentativa de passar no vestibular de medicina, o mais concorrido do estado. Preciso dizer que seu desprendimento me surpreendeu, sua iniciativa de trilhar seu próprio caminho longe do conforto da tua casa. Mas preciso dizer também que fiquei muito orgulhoso de ti por isso, mostrando que é alguém capaz de buscar aquilo que deseja.

O fato de não teres conseguido entrar na faculdade naquele momento não me frustrou, mas tive medo que frustrasse a ti. Achei que, talvez, por algum tempo, perdesse o rumo. Foi quando, apesar de ter passado em outro vestibular, você decidiu que era a hora de parar e começar a trabalhar. Confesso que me preocupei, temi que sua decisão te tirasse de vez do caminho do estudo, que sempre desejei para ti, mas respeitei tua decisão porque é isso que os pais devem fazer. Sempre achei que você poderia muito mais. Sonhei muitas coisas para a tua vida, mas precisava deixar que você vivesse sua vida. A mim restavam os sonhos.

Já não pude mais te orientar, mas acredito que meus ensinamentos foram suficientemente poderosos, tu trilhaste um caminho do bem. Fizeste escolhas e foste feliz com tuas decisões e, principalmente, decidiste tentar de novo. Voltar a faculdade, agora em um curso totalmente diferente, foi uma escolha acertada e que me encheu de orgulho. E tenho plena convicção de que pensaste em mim, em algum momento, quando tomaste tua decisão. É importante saber que continuo presente em tua vida, mesmo não estando com você.

Infelizmente precisamos nos afastar e não estive presente em muitos momentos importantes de tua vida como o nascimento de tuas filhas, minhas netas, ou em momentos que precisou de um ombro amigo ou um colinho de conforto. Não estive junto a ti, mas meu olhar se estendeu e se estende sempre sobre você e toda a sua família.

Na ocasião de tua formatura, me sinto pleno de realização e com o coração renovado de alegria. Lamento não podermos comemorar juntos essa conquista, mas peço que encha teu coração de bons sentimentos, emocione-se, comemore e brinde a tudo o que você enfrentou e conquistou e a tudo que ainda surgirá e tenha a certeza de que um dia ainda nos encontraremos e te abraçarei mil vezes em nome do amor e orgulho que sinto de você, minha filha.


Com amor, papai!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Ser mãe...


Em virtude do dia das mães comemorado no último domingo, lembrei-me de algo que ouço desde que me conheço por gente... "O amor de mãe é o maior que existe".

Como se mede o amor?

Como eu sei se meu amor é maior que do outro?

Como sei se já não amo o máximo de que sou capaz?

Confesso que questionamentos como esses sempre vinham a minha cabeça tão logo eu ouvia tal afirmação.

Hoje, mãe... concordo em gênero, número e grau!

Continuo sem saber se é possível dizer que o amor de uma pessoa é maior que de outra, mas tenho absoluta certeza de que eu não sabia o que era amor de verdade antes de ver a carinha do meu filho pela primeira vez.

É um amor gratuito! Algo sublime e imediato...

Ao ver meu filho pela primeira vez, tive a certeza de que morreria por ele, de que viveria por ele e de que nenhum amor poderia ser igual.

Não é sempre fácil, isso é fato incontestável... dai a expressão "Padecer no paraíso"... e não me refiro aqui as coisas práticas do dia dia: birras, teimosias, horários diferentes, vontades diferentes. Penso aqui em doação, que considero a palavra que resume a verdadeira mãe...

Mãe de verdade só é completa se o filho o é... só é feliz se o filho também é... Mãe é ser tão despreendida que abre mão de qualquer coisa pelo filho... para ela, o filho é a prioridade, como se ser mãe fosse seu dom ao ganhar a vida! Mãe nem sempre é assim... mas acho que aquelas que não são nem tem o direito de serem chamadas por essa palavra - a mais doce, profunda e verdadeira de nossa língua.

A palavra mãe é sinônima de amor eterno!

By Ieia

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Dia da Educação


A Educação...

O que comemorar no dia da Educação?
O maior incentivo financeiro dado às escolas da rede pública?
Com certeza!
Mas o incentivo financeiro, sem um acompanhamento organizacional adequado, é insuficiente.É preciso não somente dar o peixe, mas ensinar a pescar!

A quase totalidade dos alunos em idade escolar dentro da escola?
Com certeza!
Mas em que condições? Com salas lotadas, condições de higiene precárias, falta de espaço adequado, sem falar no descaso existente mesmo dentro das instituições.

O aumento do número de professores com formação adequada dentro da escola?
Com certeza!
Mas ainda é pouco. Os cursos de licenciatura ainda parecem não terem descoberto a fórmula de sucesso (teoria+prática) e continuam insistindo no ensino tradicional, tão criticado como método.

Essas questões são apenas algumas das que tem relevância, mas não é possível ignorar que nunca se falou tanto em educação. A discussão é o primeiro passo para a transformação!

É preciso comemorar a evolução da educação através dos tempos, a forma com que atinge um número cada vez crescente de pessoas, em todas as idade, porque a educação é uma preocupação social e quem não teve como estudar em tempo hábil, encontra sempre espaço para aprender. Isso é positivo!

Que o dia da educação seja usado para se pensar a educação e pra refletir de que forma é possível contribuir para o crescimento e melhoria da condição social mais importante a que todos têm direito.

Ieia

sábado, 24 de abril de 2010

O sonho da estrela


Joanne sonhava em ser uma estrela de cinema. Não que já tivesse batalhado muito por isso, mas porque acreditava que tinha o dom. Saiu, naquele dia, em uma manhã de um "Doce novembro", alguns minutos adiantada. Sabia o quanto o teste era importante e queria tomar um café caprichado antes de entrar no estúdio. Sabia também que aquele era um momento crucial em sua carreira e que tudo dependia do que aconteceria naquele dia. Andou calmamente pelas ruas, sentindo o frio cortante bater em seu casaco e observou a beleza das folhas que "(E) O vento levou". Pegou uma entre as mãos e observou ao redor com a sensação de que "O silêncio dos inocentes" pairava no ar. Seguiu até a cafeteria que mais gostava e sentou-se em uma mesinha no canto. Tão logo recebeu a xícara de café que a garçonete rapidamente lhe havia trazido, um homem esbarrou violentamente em sua mesa, derrubando tudo e fazendo-a sentir-se "A mulher invisível". Naquele momento, pensou que tudo estava arruinado. Sua roupa de "Bonequinha de luxo" estava imunda e molhada e sabia que seria preciso voltar a casa e se arrumar novamente. Saiu correndo depois de desculpar o desastrado homem, que parecia um "Advogado do diabo", por umas dez vezes e saiu. Subiu as escadas pulando rapidamente dois degraus de cada vez e viu-se novamente em seu quarto, sentindo "Perfume de mulher" ainda fresco, pois não fazia mais que vinte minutos que havia saído daquele mesmo local. Tirou toda roupa e mirou-se no espelho por alguns poucos segundos, sem deixar de pensar no quanto era "Uma linda mulher". Vestiu-se com uma roupa menos espetacular, mas que ainda ressaltava toda a sua beleza quase juvenil.
Desceu as escadas correndo a procura do pai. Sabia que o pai não apoiava sua escolha profissional, mas acreditava que devia ir sempre "A procura da felicidade".
Seu pai, um homem de mais de cinquenta anos, lia calmamente o jornal em sua poltrona preferida. Apenas levantou os olhos,disse que não a ajudaria em nada, que ela não seria "Eternamente jovem" e que um dia seria tarde para procurar um emprego de verdade.
Joanne saiu furiosa, derrubando o "Candelabro italiano" que estava sobre a mesinha de centro e dando uma última olhada para aquela "Casablanca". O lugar onde nascera e crescera, mas onde sabia que não deveria voltar depois do que havia acontecido.
Seguiu as ruas novamente, dessa vez correndo. Não tinha outra alternativa, pois estava "Sem licença para dirigir" depois de um episódio em que teve o carro de seu pai guinchado. Dobrou no último trecho, que seria a sua "Rua das ilusões" e não levou mais que "60 segundos" para encontrar a porta de entrada.
O estúdio era pequeno, mas estava em ritmo crescente desde que haviam obtido um enorme sucesso de bilheteria no ano anterior. Joanne sabia que não teria como se bancar sozinha. Sabia que se não desse certo, precisaria procurar um trabalho em outra área, pois sabia que não aguentaria mais sermões sobre como era fracassada.
Quando ouviu seu nome ser chamado, sentiu "Como se fosse a primeira vez" que fazia a leitura de uma cena, mas respirou fundo, deixou seu "Instinto selvagem" falar mais alto e decidiu que era preferível ficar "A espera de um milagre" tentando, do que desistindo e ficar com a certeza de que não conseguiria.
Sua leitura foi impecável e viu que os olhos do diretor haviam ficado marejados com a sua interpretação dramática de uma cena em que a personagem, "Uma secretária de futuro", partia em uma "Busca implacável" para encontrar a cura para sua doença, precisando viver "Uma vida em sete dias".
Tão logo pronunciou as últimas palavras, o diretor veio ao seu encontro e lhe aplaudiu de pé, deixando-a "Encurralada" em um canto. Abraçou-a e disse que sua busca pela atriz para o papel havia chegado ao fim.
Joanne chorou de emoção naquele momento. Agradeceu intimamente por não estar "Entrando numa fria" e saiu para ver os últimos "Vestígios do dia". Ela sabia que ninguém poderia dizer-lhe "É pura sorte!", porque sabia o quanto era competente e o quanto havia lutado pelo seu sonho.
Curtiu alguns minutos o friozinho do fim do dia, apesar de ter passado horas a fio dentro do estúdio e sentiu-se exausta. Precisava viver o seu sonho - "Um sonho de liberdade"! Depois de algum tempo, voltou para casa. Sabia que apesar de aquele ser "Um dia especial", ainda não era capaz de viver sozinha, não tinha condições financeiras para isso,nem seu pai deixaria. Ele era complicado, mas a amava, "Acima de qualquer suspeita" e não tinha mais ninguém desde que ficara viúvo. Pediu desculpas para o pai e retomou a sua vida, agora mais feliz e com a sensação de que dali para frente sua vida não seria mais a mesma!

by Ieia

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Receita da felicidade...


Lembro de ouvir pelo menos umas mil vezes que para ser plenamente feliz não se deve deixar de ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro. Posso dizer, hoje, que já fiz as três coisas e que a sensação de felicidade é real!

As três experiências, apesar de extremamente diferentes, possuem características comuns.

Ter um filho foi a viagem mais emocionante que já fiz. Uma viagem só de ida para a renúncia, a doação e o amor desmedido.

Plantar uma árvore é algo sublime. A simples ação de cavar um buraco e colocar uma muda dentro e depois regá-la e acompanhar seu crescimento é algo emocionante, que dá a sensação de ser importante para a realização de algo concreto e a certeza de que se está fazendo parte de algo que julga correto.

Escrever um livro é uma coisa sensacional para quem ama ler desde que se lembra. Representa o poder de transformar tudo que sempre se teve vontade, em realidade. De colocar na boca dos personagens as palavras exatas. Quem nunca ficou frustrada com o final de uma história? Com a morte de um personagem ou com as palavras de amor não ditas no momento certo? Quando se é o criador, se pode tudo... a sensação é de ser um pouco Deus! Isso mexe com os brios e dá a sensação de ser indestrutível, imortal e completamente alheio a qualquer vontade que não seja a própria.

O que une essas três ações é o substantivo "doação". Sem isso, nenhuma dessas conquistas seria possível. É preciso esforço, dedicação e amor para conseguir plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.

Vinha pensando em postar algo sobre o assunto desde que o registro do livro "Rosa-dos-ventos", escrito em parceria com minha cunhada, Maria, chegou. Espero que o sonho não se encerre aí. Que a muda possa crescer e virar uma linda árvore, que meu filho cresça e conquiste tudo que for importante para ele e que o livro seja publicado e que conquiste o mundo.

Sonhar não faz mal a ninguém e é melhor sonhar e tentar realizar do que não se permitir sonhar e viver na certeza do fracasso!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Sinceridade...



Quando perguntadas sobre uma qualidade que julgam possuir, as pessoas tedem, por hábito, incluir coisas como a Sinceridade... Na verdade, parecem temer se expor ao dizer: eu sou livre, eu sou inteligente, eu sou gostosa, coisas assim. Parece que dizer eu sou sincero é o mesmo que não dizer nada... Alguém é realmente sincero? Nunca mente? Em hipótese alguma? Há aqueles que dirão eu jamais minto para as pessoas que amo. Jura? Tem certeza? Vamos analisar...

O seu namorado passa o dia todo na cozinha preparando um jantar especial para comemorar o primeiro ano de namoro de vocês. Você adora, além do ato romântico, saber que ele cozinha e que faz isso com sorriso estampado no rosto, é uma felicidade e esperança de que ele venha a fazer isso também durante o casamento. Aí, você janta, come tudinho como boa menina que é, e precisa responder a pergunta crucial:

- Estava bom, amorzinho?

A comida estava horrível. O que fazer? É preciso saber que se disser a verdade, poderá magoá-lo e quem sabe depois disso o namoro desande; poderá dizer que não estava boa, mas que acredita que o importante foi a intenção, correndo o risco de ele nunca mais colocar os pés na cozinha nem para ajudar a secar a louça ou pior, mandar você enfiar a intenção em um lugar inconveniente OU AINDA... você pode mentir, mesmo que isso custe você enganar a si mesma dizendo que foi só uma mentirinha... você dirá que foi a melhor comida que já comeu e terá o namorado mais feliz do planeta, só precisará arrumar desculpas para mantê-lo afastado da cozinha até concluir o curso de culinária em que você decidiu inscrevê-lo depois que jantou.

Outra situação... Sua melhor amiga, ainda em leve depressão pós-parto, acaba de dar a luz e você vai à casa dela conhecer a criança, sua afilhada. Assim que pega o bebê no colo leva um susto. A criança, com toda a certeza, é o bebê mais feio que você já viu no mundo. Perdida em seus mais profundos pensamentos, ouve suavemente a voz da, agora, comadre, perguntando:

- Então, ela não é a criança mais linda que você já viu?

Ou você diz o que realmente estava pensando e perde a afilhada, a comadre, as amigas que não te perdoarão por ter falado tal coisa, sem falar na sociedade de cidade pequena que sempre fica sabendo de tudo e que, com certeza, acabará apontando você na rua OU mente, mas mente descaradamente e diz que com certeza a criança é linda e que terá o maior orgulho de levá-la no colo até o altar no dia do batizado.

Os casos, em questão, servem para exemplificar que nós seres humanos não somos sinceros por natureza. Cabe aqui lembrar que não se compara esse tipo de mentira, àquelas em que as pessoas se beneficiam a partir do sofrimento alheio. Mentirinhas, como dizemos, não são ruins quando usadas para amenizar o sofrimento, para fazer alguém sorrir, para apoiar. O importante, antes de sair por aí transformando todos os dias em 1º de abril, é pensar... o que eu ganho ou que a pessoa ganha ouvindo essa mentira. Às vezes, contar algumas verdades é uma maldade muito grande, quando o fato já está concretizado. De que adiantaria dizer a mãe da criança que a filha é horrível e que parecia não estar completamente formado ainda? Isso não traria nenhum benefício a ninguém, só causaria mágoa.

A mentira deve seguir o mesmo preceito das coisas que falamos... devemos, antes de abrir a boca, pensar se aquilo que diremos, além de não prejudicar ninguém, contribuirá com alguém, além de nós mesmos, de alguma forma, caso contrário... CALE A BOCA!

By Ieia