terça-feira, 13 de abril de 2010

Sinceridade...



Quando perguntadas sobre uma qualidade que julgam possuir, as pessoas tedem, por hábito, incluir coisas como a Sinceridade... Na verdade, parecem temer se expor ao dizer: eu sou livre, eu sou inteligente, eu sou gostosa, coisas assim. Parece que dizer eu sou sincero é o mesmo que não dizer nada... Alguém é realmente sincero? Nunca mente? Em hipótese alguma? Há aqueles que dirão eu jamais minto para as pessoas que amo. Jura? Tem certeza? Vamos analisar...

O seu namorado passa o dia todo na cozinha preparando um jantar especial para comemorar o primeiro ano de namoro de vocês. Você adora, além do ato romântico, saber que ele cozinha e que faz isso com sorriso estampado no rosto, é uma felicidade e esperança de que ele venha a fazer isso também durante o casamento. Aí, você janta, come tudinho como boa menina que é, e precisa responder a pergunta crucial:

- Estava bom, amorzinho?

A comida estava horrível. O que fazer? É preciso saber que se disser a verdade, poderá magoá-lo e quem sabe depois disso o namoro desande; poderá dizer que não estava boa, mas que acredita que o importante foi a intenção, correndo o risco de ele nunca mais colocar os pés na cozinha nem para ajudar a secar a louça ou pior, mandar você enfiar a intenção em um lugar inconveniente OU AINDA... você pode mentir, mesmo que isso custe você enganar a si mesma dizendo que foi só uma mentirinha... você dirá que foi a melhor comida que já comeu e terá o namorado mais feliz do planeta, só precisará arrumar desculpas para mantê-lo afastado da cozinha até concluir o curso de culinária em que você decidiu inscrevê-lo depois que jantou.

Outra situação... Sua melhor amiga, ainda em leve depressão pós-parto, acaba de dar a luz e você vai à casa dela conhecer a criança, sua afilhada. Assim que pega o bebê no colo leva um susto. A criança, com toda a certeza, é o bebê mais feio que você já viu no mundo. Perdida em seus mais profundos pensamentos, ouve suavemente a voz da, agora, comadre, perguntando:

- Então, ela não é a criança mais linda que você já viu?

Ou você diz o que realmente estava pensando e perde a afilhada, a comadre, as amigas que não te perdoarão por ter falado tal coisa, sem falar na sociedade de cidade pequena que sempre fica sabendo de tudo e que, com certeza, acabará apontando você na rua OU mente, mas mente descaradamente e diz que com certeza a criança é linda e que terá o maior orgulho de levá-la no colo até o altar no dia do batizado.

Os casos, em questão, servem para exemplificar que nós seres humanos não somos sinceros por natureza. Cabe aqui lembrar que não se compara esse tipo de mentira, àquelas em que as pessoas se beneficiam a partir do sofrimento alheio. Mentirinhas, como dizemos, não são ruins quando usadas para amenizar o sofrimento, para fazer alguém sorrir, para apoiar. O importante, antes de sair por aí transformando todos os dias em 1º de abril, é pensar... o que eu ganho ou que a pessoa ganha ouvindo essa mentira. Às vezes, contar algumas verdades é uma maldade muito grande, quando o fato já está concretizado. De que adiantaria dizer a mãe da criança que a filha é horrível e que parecia não estar completamente formado ainda? Isso não traria nenhum benefício a ninguém, só causaria mágoa.

A mentira deve seguir o mesmo preceito das coisas que falamos... devemos, antes de abrir a boca, pensar se aquilo que diremos, além de não prejudicar ninguém, contribuirá com alguém, além de nós mesmos, de alguma forma, caso contrário... CALE A BOCA!

By Ieia

Um comentário:

  1. É amiga... concordo plenamente... por isso sempre repito aquela frase: "Sinceridade em excesso é falta de educação"!!!
    Adorei o texto!!!

    BjBjBj ;)

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