sábado, 24 de abril de 2010

O sonho da estrela


Joanne sonhava em ser uma estrela de cinema. Não que já tivesse batalhado muito por isso, mas porque acreditava que tinha o dom. Saiu, naquele dia, em uma manhã de um "Doce novembro", alguns minutos adiantada. Sabia o quanto o teste era importante e queria tomar um café caprichado antes de entrar no estúdio. Sabia também que aquele era um momento crucial em sua carreira e que tudo dependia do que aconteceria naquele dia. Andou calmamente pelas ruas, sentindo o frio cortante bater em seu casaco e observou a beleza das folhas que "(E) O vento levou". Pegou uma entre as mãos e observou ao redor com a sensação de que "O silêncio dos inocentes" pairava no ar. Seguiu até a cafeteria que mais gostava e sentou-se em uma mesinha no canto. Tão logo recebeu a xícara de café que a garçonete rapidamente lhe havia trazido, um homem esbarrou violentamente em sua mesa, derrubando tudo e fazendo-a sentir-se "A mulher invisível". Naquele momento, pensou que tudo estava arruinado. Sua roupa de "Bonequinha de luxo" estava imunda e molhada e sabia que seria preciso voltar a casa e se arrumar novamente. Saiu correndo depois de desculpar o desastrado homem, que parecia um "Advogado do diabo", por umas dez vezes e saiu. Subiu as escadas pulando rapidamente dois degraus de cada vez e viu-se novamente em seu quarto, sentindo "Perfume de mulher" ainda fresco, pois não fazia mais que vinte minutos que havia saído daquele mesmo local. Tirou toda roupa e mirou-se no espelho por alguns poucos segundos, sem deixar de pensar no quanto era "Uma linda mulher". Vestiu-se com uma roupa menos espetacular, mas que ainda ressaltava toda a sua beleza quase juvenil.
Desceu as escadas correndo a procura do pai. Sabia que o pai não apoiava sua escolha profissional, mas acreditava que devia ir sempre "A procura da felicidade".
Seu pai, um homem de mais de cinquenta anos, lia calmamente o jornal em sua poltrona preferida. Apenas levantou os olhos,disse que não a ajudaria em nada, que ela não seria "Eternamente jovem" e que um dia seria tarde para procurar um emprego de verdade.
Joanne saiu furiosa, derrubando o "Candelabro italiano" que estava sobre a mesinha de centro e dando uma última olhada para aquela "Casablanca". O lugar onde nascera e crescera, mas onde sabia que não deveria voltar depois do que havia acontecido.
Seguiu as ruas novamente, dessa vez correndo. Não tinha outra alternativa, pois estava "Sem licença para dirigir" depois de um episódio em que teve o carro de seu pai guinchado. Dobrou no último trecho, que seria a sua "Rua das ilusões" e não levou mais que "60 segundos" para encontrar a porta de entrada.
O estúdio era pequeno, mas estava em ritmo crescente desde que haviam obtido um enorme sucesso de bilheteria no ano anterior. Joanne sabia que não teria como se bancar sozinha. Sabia que se não desse certo, precisaria procurar um trabalho em outra área, pois sabia que não aguentaria mais sermões sobre como era fracassada.
Quando ouviu seu nome ser chamado, sentiu "Como se fosse a primeira vez" que fazia a leitura de uma cena, mas respirou fundo, deixou seu "Instinto selvagem" falar mais alto e decidiu que era preferível ficar "A espera de um milagre" tentando, do que desistindo e ficar com a certeza de que não conseguiria.
Sua leitura foi impecável e viu que os olhos do diretor haviam ficado marejados com a sua interpretação dramática de uma cena em que a personagem, "Uma secretária de futuro", partia em uma "Busca implacável" para encontrar a cura para sua doença, precisando viver "Uma vida em sete dias".
Tão logo pronunciou as últimas palavras, o diretor veio ao seu encontro e lhe aplaudiu de pé, deixando-a "Encurralada" em um canto. Abraçou-a e disse que sua busca pela atriz para o papel havia chegado ao fim.
Joanne chorou de emoção naquele momento. Agradeceu intimamente por não estar "Entrando numa fria" e saiu para ver os últimos "Vestígios do dia". Ela sabia que ninguém poderia dizer-lhe "É pura sorte!", porque sabia o quanto era competente e o quanto havia lutado pelo seu sonho.
Curtiu alguns minutos o friozinho do fim do dia, apesar de ter passado horas a fio dentro do estúdio e sentiu-se exausta. Precisava viver o seu sonho - "Um sonho de liberdade"! Depois de algum tempo, voltou para casa. Sabia que apesar de aquele ser "Um dia especial", ainda não era capaz de viver sozinha, não tinha condições financeiras para isso,nem seu pai deixaria. Ele era complicado, mas a amava, "Acima de qualquer suspeita" e não tinha mais ninguém desde que ficara viúvo. Pediu desculpas para o pai e retomou a sua vida, agora mais feliz e com a sensação de que dali para frente sua vida não seria mais a mesma!

by Ieia

Um comentário:

  1. Adoreeeeei! Tão gostoso de ler, me colocou rindo da "Joanne" a cada nova citação em negrito.

    Beijinho

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