sábado, 3 de abril de 2010

Brincando com as palavras...

Qualquer coisa...

A morte da bezerra causou comoção na cidade Popular e mesmo não adiantando chorar sobre o leite derramado, muitos decidiram prestar suas últimas homenagens a tão subserviente ser... Diziam as más línguas, que desde os tempos do Ariri Pistola, a bezerra já sustentava a família que servia. Era moça ainda, mas a morte não escolhe idade e cada coisa a seu tempo... Foi-se a pobre Bezerra, deixando o dono, desconsolado. Para ele, era melhor assim, Deus a deu, Deus a levou, não gostaria de ver o bichinho se acabando aos poucos, antes a morte que tal sorte.

Cansado de sofrer, de chorar as pitangas, resolveu dar ouvidos a alguns amigos da onça com línguas de trapo, daqueles que se morder a língua morrem por causa do veneno. Para eles, o desconsolado deveria mandar tudo às favas, entender que há males que vem para o bem e recomeçar sua vida. Já tinha vivido tempo demais com cara de paisagem, precisava realmente viver a vida como manda a bíblia: esquecer da bezerra e achar uma mulher de verdade, daquelas pra duzentos talheres.

A tarefa era mais difícil que achar agulha no palheiro, mais perigosa que cutucar onça com vara curta, mas os amigos insistiam que enquanto há vida há esperança e que Deus escreve certo por linhas tortas. Como cautela e caldo de galinha nunca fazem mal a ninguém, o triste homem, mesmo achando a idéia sem eira nem beira, achou melhor analisar com calma, tintim por tintim, todas as opções que tinha. Como a noite é boa conselheira, decidiu que iria tomar uma decisão ao clarear do dia, pois acreditava que a pressa é inimiga da perfeição e que o apressado come cru.

Ao nascer do sol, ele, que sempre acorda cedo porque acredita que Deus ajuda quem cedo madruga tinha chegado a uma conclusão: achou melhor ficar sozinho e explicou aos amigos o porquê. Para ele, não dá para confiar numa criatura que sangra cinco dias todo mês e não morre, por isso, antes só do que mal acompanhado.

Ieia

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